O Profissional

Abril 14, 2008

Escrito e dirigido pelo sempre competente cineasta francês Luc Besson, responsável pelos bem sucedidos SUBWAY (1985), IMENSIDÃO AZUL (198 8) e NIKITA (1990), o grande objetivo da produção franco-americana O PROFISSIONAL , originalmentre intitulada LÉON, talvez seja mostrar o controvertido submundo do crime e como um experiente assassino profissional encarregado de liquidar bandidos pode vir a se transformar em herói na medida em que um policial desonesto e sanguinário extermina, sem o menor remorso, uma família, por causa de drogas.

Moralidade à parte, o tal matador profissional também tem seus deméritos. Trabalhando para um mafioso do Bronx, Tony (Danny Aiello, de FAÇA A COISA CERTA e MOJAVE MOON), Léon (Jean Reno, de SURPRESAS DO CORAÇÃO e RONIN) é frio e calculista, e sempre quando há um serviço, ele o cumpre com diligência e precisão. Porém, no final das contas, ele também é uma pessoa meiga e de bom coração, que se revela uma verdadeira jóia de inocência quando acolhe a vizinha de doze anos, Mathilda (Natalie Portman, de FOGO CONTRA FOGO e TODOS DIZEM EU TE AMO), logo após sua família ser assassinada pelo policial Norman Stansfield (Gary Oldman, de AMOR À QUEIMA-ROUPA e A LETRA ESCARLATE).

Quando a garota descobre que Léon é um assassino profissional, ela tenta convencê-lo a vingar a morte do irmão caçula (Carl J. Matusovich, de O INDOMÁVEL), já que pelos demais membros da família Mathilda vinha tendo um relacionamento por demais de conturbado. Mas Léon se limita a ensiná-la a manejar um rifle para que ela mesma o faça, depois de muita insistência e um discurso non sense.

Na medida que a rotina dos dois acaba se transformando devido à convivência, um sentimento de amizade se desenvolve, de modo que, o sempre perfeccionista Léon, outrora com uma estilo de vida totalmente voltado para seus negócios e sua solidão absoluta, acaba refletindo acerca de um novo modo de viver.

Claro que, depois de bons momentos entre os dois, eis que surge o momento em que Mathilda, finalmente, defronta-se com o carrasco de sua família, o amoral Stansfield, que vê um a um de seus homens serem exterminados por um profissional que parece estar se esmerando numa empreitada um tanto pessoal demais.

Com muita maestria e abnegação, O PROFISSIONAL pode ser considerado muito mais um drama do que um filme de ação, pois, em que pese o fato de trazer à tona duas realidades completamente distintas, a de uma menina órfã, que ainda tem uma escolha de vida e a de um assassino profissional, que já fez a sua, e o relacionamento crescente entre eles, fica a dúvida do que é certo e o que é errado para ambos.

Luc Besson, com muito acerto, novamente dirige Jean Reno, com quem já havia trabalhado em SUBWAY, IMENSIDÃO AZUL e NIKITA, e o presenteia com um personagem complexo, e verdadeiramente dividido, cujo ofício deixa de ser horrendo aos olhos do telespectador pelas qualidades ternas que denota. O ator, aliás, não poderia ter personificado melhor o personagem. De outro lado, Gary Oldman, que, anos depois, voltou a trabalhar com Besson como o vilão espacial Jean-Baptiste Emanuel Zorg em O QUINTO ELEMENTO (1997), também não fica atrás como o policial violento e cheio de manias. Contudo, talvez, a grande descoberta em O PROFISSIONAL, seja a então estreante Natalie Portman. Com um talento natural, a precoce atriz da nova trilogia de STAR WARS fica muito à vontade em cena, e a química com Jean Reno é perfeita.

Assim, O PROFISSIONAL é um filme muito interessante, lembrando-se, todavia, que não se trata, inteiramente, de um filme de ação, talvez, como muitos esperavam que fosse, mas um drama repleto de questões morais e situações por demais de inusitadas, uma vez que se trata da estória de um matador profissional de bom coração e uma menina órfã que busca nele uma espécie de imagem paterna. É, portanto, um dos melhores momentos de Luc Besson, e espera-se que ele volte a comendar produções tão ousadas como esta, lembrando que seu último trabalho na direção foi o desastroso JOANA D’ARC (1999).

Cotação: ****

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