O Profissional
Abril 14, 2008

Escrito e dirigido pelo sempre competente cineasta francês Luc Besson, responsável pelos bem sucedidos SUBWAY (1985), IMENSIDÃO AZUL (198
e NIKITA (1990), o grande objetivo da produção franco-americana O PROFISSIONAL , originalmentre intitulada LÉON, talvez seja mostrar o controvertido submundo do crime e como um experiente assassino profissional encarregado de liquidar bandidos pode vir a se transformar em herói na medida em que um policial desonesto e sanguinário extermina, sem o menor remorso, uma família, por causa de drogas.
Moralidade à parte, o tal matador profissional também tem seus deméritos. Trabalhando para um mafioso do Bronx, Tony (Danny Aiello, de FAÇA A COISA CERTA e MOJAVE MOON), Léon (Jean Reno, de SURPRESAS DO CORAÇÃO e RONIN) é frio e calculista, e sempre quando há um serviço, ele o cumpre com diligência e precisão. Porém, no final das contas, ele também é uma pessoa meiga e de bom coração, que se revela uma verdadeira jóia de inocência quando acolhe a vizinha de doze anos, Mathilda (Natalie Portman, de FOGO CONTRA FOGO e TODOS DIZEM EU TE AMO), logo após sua família ser assassinada pelo policial Norman Stansfield (Gary Oldman, de AMOR À QUEIMA-ROUPA e A LETRA ESCARLATE).
Quando a garota descobre que Léon é um assassino profissional, ela tenta convencê-lo a vingar a morte do irmão caçula (Carl J. Matusovich, de O INDOMÁVEL), já que pelos demais membros da família Mathilda vinha tendo um relacionamento por demais de conturbado. Mas Léon se limita a ensiná-la a manejar um rifle para que ela mesma o faça, depois de muita insistência e um discurso non sense.
Na medida que a rotina dos dois acaba se transformando devido à convivência, um sentimento de amizade se desenvolve, de modo que, o sempre perfeccionista Léon, outrora com uma estilo de vida totalmente voltado para seus negócios e sua solidão absoluta, acaba refletindo acerca de um novo modo de viver.
Claro que, depois de bons momentos entre os dois, eis que surge o momento em que Mathilda, finalmente, defronta-se com o carrasco de sua família, o amoral Stansfield, que vê um a um de seus homens serem exterminados por um profissional que parece estar se esmerando numa empreitada um tanto pessoal demais.
Com muita maestria e abnegação, O PROFISSIONAL pode ser considerado muito mais um drama do que um filme de ação, pois, em que pese o fato de trazer à tona duas realidades completamente distintas, a de uma menina órfã, que ainda tem uma escolha de vida e a de um assassino profissional, que já fez a sua, e o relacionamento crescente entre eles, fica a dúvida do que é certo e o que é errado para ambos.
Luc Besson, com muito acerto, novamente dirige Jean Reno, com quem já havia trabalhado em SUBWAY, IMENSIDÃO AZUL e NIKITA, e o presenteia com um personagem complexo, e verdadeiramente dividido, cujo ofício deixa de ser horrendo aos olhos do telespectador pelas qualidades ternas que denota. O ator, aliás, não poderia ter personificado melhor o personagem. De outro lado, Gary Oldman, que, anos depois, voltou a trabalhar com Besson como o vilão espacial Jean-Baptiste Emanuel Zorg em O QUINTO ELEMENTO (1997), também não fica atrás como o policial violento e cheio de manias. Contudo, talvez, a grande descoberta em O PROFISSIONAL, seja a então estreante Natalie Portman. Com um talento natural, a precoce atriz da nova trilogia de STAR WARS fica muito à vontade em cena, e a química com Jean Reno é perfeita.
Assim, O PROFISSIONAL é um filme muito interessante, lembrando-se, todavia, que não se trata, inteiramente, de um filme de ação, talvez, como muitos esperavam que fosse, mas um drama repleto de questões morais e situações por demais de inusitadas, uma vez que se trata da estória de um matador profissional de bom coração e uma menina órfã que busca nele uma espécie de imagem paterna. É, portanto, um dos melhores momentos de Luc Besson, e espera-se que ele volte a comendar produções tão ousadas como esta, lembrando que seu último trabalho na direção foi o desastroso JOANA D’ARC (1999).
Cotação: ****
The Godfather: Part III
Abril 13, 2008

Vinte anos depois da estória em O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 2 (1974), sozinho, Michael Corleone (Al Pacino, de SCARFACE: A VERGONHA DE UMA NAÇÃO e ADVOGADO DO DIABO) comanda com diligência os negócios da família. Sobre seus ombros pesa o fracasso no relacionamento com a ex-mulher Kay (Diane Keaton, de REDS e NOS TEMPOS DO RÁDIO) e a morte do irmão Fredo (John Cazale, de UM DIA DE CÃO).
Almejando deixar um império honsto para os filhos Anthony (Franc D’Ambrosio) e Mary (Sofia Coppola, de PEGGY SUE: O PASSADO A ESPERA e STAR WARS: EPISÓDIO 1 - A AMEAÇA FANTASMA), Michael cria a Fundação Andolini Corleone, com o apoio da Igreja Católica, por meio do obscuro arcebispo Lamberto (Raf Vallone), com o intuito de ajudar o povo da Sicilia.
Pretendendo adquirir maioria acionária de um importante grupo empresarial de controle do Vaticano, a Immobiliare, Michael encontra obstáculos na comissão papal, como o momento crítico para o Sumo Pontífice, o Papa Paulo VI, e justamente quando vem à tona ao mundo um escândalo envolvendo o Banco do Vaticano.
Como se não bastasse, um problema pessoal com um gângster do Bronx, Joey Zasa (Joe Mantegna, de ÍNTIMO E PESSOAL e CELEBRIDADE) e o filho bastardo de Sonny (James Caan, de EL DORADO e 1941), Vincent Mancini (Andy Garcia, de OS INTOCÁVEIS e CHUVA NEGRA) faz com que Michael Corleone novamente se atenha aos problemas das organizações criminosas com as quais tratou por anos, e que também almejam uma participação no negócio com o Vaticano, tudo sob o olhar atento do ambíguo Don Altobello (Elli Wallach, de SOBRE MENINOS E LOBOS), amigo da família há tempos.
Ao mesmo tempo que, no campo pessoal, tem que permitir que o filho Anthony siga sua vida como bem entender, refutando participação nos assuntos do pai, Michael vê em Vincent um possível futuro para a prosperidade do nome Corleone, e tem que lidar, ainda, com um inusitado relacionamento amoroso deste com a filha Mary, temendo que sua estória com Apollonia, em O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 1, se repita.
Novamente dirigido por Francis Ford Coppola, inspirado na terceira e última parte da saga IL PADRINO, de Mario Puzo, a produção repete os filmes predecessores no que diz respeito à qualidade e originalidade. Novas tramas e reviravoltas tomam forma e uma incrível suposição do envolvimento do Papa João Paulo I (Donal Donelly) com a máfia - e que sua morte, em 1978, a ela estara relacionada -, é também trazida à tona.
Michael Corleone, pela primeira vez, mostra-se indefeso, acometido por crises de diabetes, e sempre sob os cuidados de sua irmã Connie (Talia Shire, de ROCKY: UM LUTADOR), agora muito mais forte e empenhada com as questões da família, honrando o lugar deixado pelos demais membros do clã, falecidos nos filmes anteriores.
O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 3 não é apenas excepcional por trazer uma nova perspectiva para a organização/família Corleone, em meio ao turbulento final da década de setenta, mas também, pelas muitas referências e a volta de personagens que fizeram parte da saga desde os seus primórdios, como Don Tommasino (Vittorio Duse), Johnny Fontane (Al Martino), o antigo guarda-costas de Michael em O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 1, Calo (Franco Citti) e muitas outras, além, é claro, de novas introduções, como a de Andrew (John Savage), filho de Tom Hagen (Robert Duvall, de BULLITT e THX 1138), o confeiteiro Enzo (Gabriele Torrei), os filhos já adultos de Michael e mesmo Vincent, que, na pele de Andy Garcia garante alguns dos melhores momentos do filme, como quando assassina Joey Zasa após um atentado contra todos os chefões e quando se torna Don Corleone, renunciando, para isso, o amor da prima Mary.
Obviamente queo climax do filme é seus quase vinte minutos finais, quando Anthony faz sua primeira apresentação musical na Sicilia, sob o olhar atento e orgulhoso de toda a família, com a ópera Cavalleria Rusticana, e um frio assassino é contratato para matar Michael Corleone, enquanto outra vendetta também sucede.
O mais lamentável em O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 3 é que a saga da família Corleone chega ao seu fim, ao menos no que diz respeito a Michael, seu mair forte representante, num período da estória de Nova York em que a máfia italiana esteve no seu mais alto nível. Embora a promessa deixada pelo sobrinho Vincent de que a família prosperaria, e apesar de Andy Garcia ter feito muito bem a sua parte - inclusive, desenvolvendo ótiam química com Al Pacino -, o grande personagem é e sempre foi Michael Corleone e o fina ao qual ele chega após tantos crimes em prol da família, não poderia ser diferente. Um filme maravilhoso, com uma resolução perfeita e muito dramática.
Cotação: *****
The Godfather: Part II
Abril 10, 2008

Quase dez anos depois dos acontecimentos que deram ensejo à saga da família Corleone em O PODEROSO CHEFÃO : PARTE I (1972), agora, em O PODEROSO CHEFÃO : PARTE II, esta reina absoluta sob o controle de Michael (Al Pacino, de SCARFACE: A VERGONHA DE UMA NAÇÃO e DONNIE BRASCO), que mudou com a família para uma isolada mansão em Nevada.
Mas logo de início, é de se perceber a frieza de Don Corleone, que vem comandando os negócios da família, que se espandem no crime organizado nos sindicatos, com mais determinação. Chantageado pelo Senador Pat Geary (G. D. Spradlin, de ED WOOD e TEMPO ESGOTADO) e pressionado por um velho amigo da família, Frankie Pentagelli (Michael Gazzo, de COOKIE e O ÚLTIMO GRANDE HERÓI), que tem suspeitas do parceiro dos Corleone num negócio milionário a ser realizado em Havana, Cuba, Hyman Roth (Lee Strasberg), Michael sofre um atentado na própria casa, para horror da mulher Kay (Diane Keaton, de REDS e NOS TEMPOS DO RÁDIO) e dos filhos pequenos, o que o faz acreditar que há um traidor na família, e que qualquer um pode estar por trás da tentativa do seu assassinato .
Enquanto Michael se esmera nos negócios em Cuba com Hyman, suas suspeitas recaem em seu próprio irmão, Fredo (John Cazale, de UM DIA DE CÃO) e, na eminência do Golpe de Estado que colocou Fidel Castro no poder, o poderoso chefão resolve mudar seus planos.
Como se não bastasse, Pentagelli, que sobrevive a um atentado que o faz acreditar ter sido a mando dos Corleone, torna-se testemunha chave de um processo movido pelo F.B.I. para colocar Michael Corleone atrás das grades. Num golpe de sorte, e de talento, Pentagelli não testemunha e, na seqüência, Michael descobre não apenas o traidor interno, como também, quem é o mandante dos atentados. Num momento crucial da trama, mais uma vez, como no primeiro filme, ele tira do seu caminho as pessoas que o estão obstaculizando, inclusive, num dos momentos mais dramáticos, o próprio irmão.
Sendo o segundo filme da cinessérie, O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 2 sofre um pouco, talvez, também, pelo fato do terceiro filme só ter sido concebido dezesseis anos depois, em 1990, mas, principalmente, porque a transição de Michael Corleone acabou surpreendendo a muitos. Ele se torna uma pessoa completamente insana, provavelmente entorpecido pelo poder, disposto a matar todos que a ele se opõem e até mesmo se submeter à perda da mulher, que o deixa, num momento decisivo. São as medidas justificadas que vão de encontro com o próprio conceito de Família.
O grande momento do filme, muito mais dramático que o anterior, diga-se de passagem, é a própria estória de Vito Andolini, desde seus primeiros nove anos de vida, na cidade de Corleone, na Sicilia, quando viu toda a sua família ser chacinada pelo mafioso local, um certo Don Ciccio (Giuseppe Sillato), até a sua bem sucedida trajetória em Nova York. Excelentemente interpretado por Robert De Niro (de DIA DE CASAMENTO e TAXI DRIVER), os primeiros anos de Vito, como imigrante italiano no Bronx, mostram figuras importantes e que depois fazem parte da organização Corleone, como Peter Clemenza (Bruno Kirby) e Sal Tessio (John Aprea).
Seus momentos também são de muito empenho e êxtase no filme, como quando assassina o chefão local, Don Fanucci (Gastone Moschin), que pretende extorqui-lo e os companheiros nas suas operações, alcançando respeito local, ou mesmo quando, depois de se tornar Padrinho, volta à Sicilia para, com a ajuda do amigo Don Tommasino (Mario Cotono, de MALÈNA e PINOCCHIO), vingar o assassinato dos pais. Em contrapartida, Vito também se mostra um pai amoroso, que sofre com a crise de pneumonia do pequeno Fredo e que pretende fazer de tudo pelo bem estar da mulher e ds filhos.
Aliás, assim como o predecessor, O PODEROSO CHEFÃO - PARTE 2 gira em torno do crime e da família, o tempo todo, e não no sentido da própria cosa nostra. Como os negócios preocupam o patriarca, assim também são os problemas dos membros do seu clã. Connie (Talia Shire, de ROCKY: UM LUTADOR), que jamais perdoou o irmão pelo assassinato do marido Carlo (Gianni Russo), no primeiro filme, agora é uma mulher sem qualquer auto-estima, que se machuca para atingi-lo. E tem Fredo, que se torna sua maior decepção, além do irmão adotivo, Tom Hagen (Robert Duvall, de BULLITT e THX 1138), mais afastado dos negócios da família e temeroso como nunca.
Um excelente filme, com boas reviravoltas, e cujo grande arroubo, efetivamente, é a transformação do personagem principal e os flashbacks da saga de Vito Andolini. Emocionante, também, é a seqüência final, quando Michael Corleone, depois do assassinato de Fredo, relembra um momento à mesa, com os irmãos, quando ainda refutava fazer arte ds negócios da família, e somente aquele o havia parabenizado por ter se alistado no exército.
Cotação: *****
The Godfather
Abril 7, 2008

Dirigido pelo excepcional Francis Ford Coppola, de A CONVERSAÇÃO (1974) e APOCALYPSE NOW (1979), O PODEROSO CHEFÃO (1972), inspirado no romance homônimo de Mario Puzo - autor, também, das estórias que inspiraram o filme O SICILIANO (1987), de Michael Cimino e a minissérie O ÚLTIMO DON (1997-1998), de Graemme Clifford -, é considerado um dos mais extraordinários filmes de gângsters de todos os tempos, e o precursor para produções como OS INTOCÁVEIS (1987), de Brian De Palma, OS BONS COMPANHEIROS (1990) e CASSINO (1995), de Martin Scorsese, entre outros.
Com um visual de época extraordinário, que peca pelo sombrio excessivo, talvez, complemento da própria narrativa, a produção de Coppola, uma das mais homenageadas de todos os tempos e cuja tradução original é O PADRINHO, conta a estória de uma família de imigrantes italianos do Bronx, em Nova York, que, ao final da Segunda Guerra Mundial, se vê compelida a adaptar-se ao novo rumo do crime organizado.
Vito Corleone (Marlon Brando, de O ÚLTIMO TANGO EM PARIS e SUPERMAN: O FILME) é o patriarca de uma próspera família que começou os negócios escusos camuflados, inicialmente, com o comércio de azeite de oliva e que, no decorrer dos anos, estendeu-se a outros ramos. Aos poucos, tornou-se um dos homens mais respeitados e admirados de seu tempo, ao lado dos chefes de quatro outras tradicionais famílias que dividem o controle em Nova York, entre eles, Barzini (Richard Conte) e Tattaglia (Victor Rendina).
Por trás desses negócios, aparentemente lícitos, está a cosa nostra, como já se pode notar desde logo. As famílias, na verdade, são organizações criminosas, nas quais há um chefe, um consigliere e os soldados - que são assassinos que cumprem sua tarefas com um simples comando de ordem do chefe.
Vito Corleone é o mais influente das cinco entidades. Sabendo que ele detém o controle de juízes e políticos no país inteiro, os quais lhe devem favores, uma das famílias, a dos Tattaglia, mediante seu negociador, Virgil Sollozzo (Al Lettiere), lhe propõe esmerar-se do negócio de contrabando de bebidas, de jogatina e de prostituição, para o ramo do tráfico de drogas.
Embora o conselheiro da família, Tom Hagen (Robert Duvall, de BULLITT e THX 113
e o primogênito Sonny (James Caan, de EL DORADO e 1941) entendam tratar-se de um bom negócio, Vito Corleone recusa a oferta, preferindo limitar-se aos empreendimentos de costume, almejando, inclusive, um dia, o ingresso de um membro da família junto à política. Mas a negativa acaba se tornando sua sentença de morte quando ele é alvejado por disparos de armas de fogo em meio a uma feira a céu aberto.
É nesse momento crucial da trama que os filhos Sonny, Fredo (John Cazale, de UM DIA DE CÃO) e, agora, Michael (Al Pacino, de SCARFACE: A VERGONHA DE UMA NAÇÃO e DONNIE BRASCO) resolvem unir forças para manter o nome Corleone forte. E, apesar de sempre recusar seu ingresso nos assuntos da família, Michael, após uma surpreendente seqüência, na qual ele descobre que o pai ainda pode ser vítima de novo atentado no próprio hospital onde se recupera - num excelente momento do filme, quando se faz valer, ainda, da ajuda do padeiro Enzo (Gabriele Torrei) que passa por um dos carcamanos da família -, resolve não apenas matar Sollozzo, como também, McCluskey (Sterling Hayden), o corrupto capitão da polícia local.
Para que a vendetta não recaia sobre Michael - que desempenha muito bem sua tarefa, num dos momentos mais surpreendentes da trama -, o irmão Sonny o envia para a Sicilia, onde fica escondido sob os cuidados do diligente amigo da família, Don Tommasino (Corrado Gaipa) até as coisas se acalmarem, para desgosto da sua namorada, Kay Adams (Diane Keaton, de REDS e NOS TEMPOS DO RÁDIO), a quem Michael sempre prometeu jamais fazer parte dos esquemas da família.
Nesse meio tempo, enquanto Michael conhece, apaixona-se e casa-se com uma italiana local, Apollonia Vitelli (Simonetta Stefanelli) e Vito se restabelece, os Tattaglia mostram que não estão sozinhos na empreitada de derrubada da família Corleone, e depois de uma briga simulada por Carlo Rizzi (Gianni Russo), marido de Connie (Talia Shire, de ROCKY: UM LUTADOR) - filha mais nova dos Corleone -, sabendo que Sonny, devido ao seu temperamento explosivo nos assuntos de família, sairia em defesa desta, eis que ele é massacrado numa praça de pedágio, numa das cenas mais dramáticas do filme.
E depois de um suposto acordo de paz entre os chefes das cinco famílias, momento este em que Vito Corleone descobre que o golpe para dizimá-lo não era apenas dos Tattaglia, e com o atentado a Michael, na Sicilia, que o faz perder a esosa, o controle dos negócios da família é passado para este, que aprende com o pai as sutilezas das relações na máfia. Aliás, nesse sentido, são por demais de excepcionais os diálogos entre pai e filho, mestre e aluno, como quando em meio a uma conversa sobre os planos do cruel Barzini, Vito pergunta a Michael como vai a família e diz como o neto se parece com ele a cada dia que passa.
Logicamente, os grandes momentos de O PODEROSO CHEFÃO ficam por conta não apenas da presença de Marlon Brando, como o Padrinho, mas também, pelos momentos explosivos dos membros da sua família, como Santino, ou mesmo Connie, que desponta toda a dramaticidade de Talia Shire quando de seus atritos com o marido Carlo. Aliás, a cena em que Sonny espanca o cunhado nas ruas do Brooklyn após este ter surrado Connie, é impressionante.
O grande arroubo, porém, sem dúvida é o momento de transição do poderio da família para Michael, que se mostra, desde logo, uma pessoa fria e calculista e, por vezes, com muito mais pulso do que o próprio pai. A esse propósito, a seqüência da cantina, quando ele se vinga do atentado ao pai, é um forte indício de seu futuro nos negócios, sempre em contrapartida aos irmãos Sonny e Fredo.
Imabtível, ainda, é o momento final do filme. Com a morte do patriarca da família Corleone, Michael, sabendo que haveria em seu meio, um traídor - o capanga Sal Tessio (Abe Vigoda) -, ele não apenas decide eliminá-lo, como também, todos os chefes das quatro famílias, o sócio em Las Vegas, Moe Greene (Alex Rocco) e o cunhado Carlo, tudo durante o batizado do sobrinho.
Assim, O PODEROSO CHEFÃO é um filme excepcional, sem precedentes, que transformou uma geração e inspirou muitos, e que mesmo hoje é referência, por suas cenas chocantes, como os atentados aos chefes da máfia e até mesmo pela cabeça de cavalo na cama de um executivo de Hollywood para que o cantor Johnny Fontane (Al Martino) consiga um papel num filme. Válido pela estória, pelo roteiro, pela direção e pelas ótimas performances.
Cotação: *****
Band of Brothers
Abril 5, 2008

Inspirado numa idéia de Tom Hanks e Steven Spielberg de levarem adiante um novo projeto sobre a Segunda Guerra Mundial logo após o término das filmagens de O RESGATE DO SOLDADO RYAN (1998), a superprodução da Dreamworks em parceria com o canal HBO, BAND OF BROTHERS (2001), é uma minissérie adaptada do livro homônimo de Stephen Edward Ambrose, historiador militar, autor de inúmeros bestsellers sobre a Segunda Grande Guerra, incluindo O DIA-D, UNDAUNTED COURAGE, CITIZEN SOLDIERS e THE VICTORS, além de algumas biografias, como as de Dwight D. Eisenhower e Richard Nixon.
Ousada, a produção de dez horas, e com um orçamento de US$ 120 milhões - a mais cara da história da televisão -, acompanha a trajetória de um grupo de elite do exército norte-americano, a Companhia Easy, do 506º Regimento da Infantaria de Paraquedistas, 101º Divisão Airborne, desde o primeiro dia de treinamento, da Batalha de Bulge até o final da Guerra, quando os soldados alcançam o Ninho da Águia de Hitler, passando por todos os principais acontecimentos do conflito Mundial na Europa.
Para a recriação - excelente, diga-se de passagem - das onze cidades e vilas européias em que a ação se desenrola, a principal locação tinha doze acres. Mais de mil extras trabalharam nos episódios. Foram utilizados um avião C-47 autêntico e blindados restaurados de acordo com as especificações originais. O total, com os custos de produção e cenário, foi de US$ 17 milhões - montante muito superior ao de qualquer outra grande produção cinematográfica.
Assim como em O RESGATE DO SOLDADO RYAN, a minissérie humaniza os soldados, retratando-os como homens comuns, apresentando-os no seu íntimo, como as coisas das quais gostam, o que temiam, como interagiam e o que lhes era efetivamente importante. Aliás, alguns episódios são como que protagonizados por alguns dos membros da Companhia Easy, com sua visão sobre a vida e sobre a guerra. Com o intuito de conferir maior veracidade à produção, nesse aspecto, cada um dos roteiros foi levado para apreciação dos sobreviventes da Companhia Easy, que fazem relatos dramáticos ao início de cada episódio.
No primeiro episódio, CURRAHEE, dirigido por Phil Alden Robinson, e escrito por Tom Hanks e Erik Jendresen, tem-se, basicamente, o treinamento dos paraquedistas supervisionados pelo autoritário Capitão Herbert Sobel (David Schwimmer, do seriado FRIENDS). Abaixo dele está o Tenente Richard Winters (Damian Lewis, de O APANHADOR DE SONHOS), uma pessoa responsável, solidária e de boa índole. Não demora muito para ele entrar em conflito com seu superior, que exagera no rigor nos treinamentos e que, em combate, mostra-se um péssimo líder, causando desconforto em seus subalternos e podendo comprometer totalmente a Companhia.
Em DAY OF DAYS, segundo episódio da minissérie, dirigido por Richard Loncraine, e escrito por John Orloff, a Companhia Easy, agora liderada pelo Tenente Meehan (Jason O`Mara), entra em ação. É espetacular a seqüência inicial, quando os paraquedistas saltam dos aviões no território da Normandia, no Dia-D, sob o bombardeio alemão. Totalmente dispersos em meio ao fogo cerrado, eles se veêm compelidos a se esmerar sob a orientação do agora Tenente Winters, que se torna o novo líder da Companhia.
Em CARENTAN, terceiro episódio, dirigido por Mikael Salomon, e escrito por E. Max Frye, a Companhia Easy passa um dos momentos mais dramáticos de sua trajetória, porém, liderados, com muita diligência e sabedoria, por Winters, eis que conseguem vencer uma das batalhas mais sangrentas da Guerra, contudo, com muitas baixas. É nesse momento da minissérie que o telespectador se depara com os efeitos causados pelo horror da Guerra em algumas pessoas. O Soldado Albert Blitthe (Marc Warren), por exemplo, personifica um pouco desse sentimento quando chega a ter cegueira histérica, logo após perder todo o seu pelotão, e a cada novo ataque, ele abraça seu fuzil como uma criança apavorada.
No quarto episódio, REPLACEMENTS, dirigido por David Nutter, e escrito por Graham Yost e Bruce C. McKenna, com as baixas na batalha de Carentan, os soldados da Companhia Easy têm uma nova missão e substitutos chegam para complementar o grupo, que está cada vez mais unido diante das tragédias. Num momento decisivo, a Companhia Easy faz um cerco aos alemães instalados em território holandês. Aqui, a estória é do sargento Bull Randleman (Michael Cudlitz), que sempre procurou dar auxílio aos novos integrante do Regimento. Sozinho, ele tem que se esconder num celeiro cercado por soldados nazistas e proteger um fazendeiro local e sua filha.
CROSSROADS, quinto episódio, dirigido por Tom Hanks, e escrito por Erik Jendresen, é, talvez, um dos mais intrigantes. Mandados para a Holanda, os homens da Companhia Easy se deparam não apenas com os horrores que podem provocar os campos de batalha a uma pessoa, mas a própria reação de um povo submetido ao poderio de outro como, quando, em praça pública, alguns holandeses de um vilarejo, cortam os cabelos e despem mulheres que se deitaram com soldados alemães.
BASTOGNE, sexto episódio, dirigido por David Leland, e escrito por Bruce C. McKenna, mostra uma das batalhas mais difíceis para os homens da Companhia Easy. Sob o frio intenso e sem munição suficiente, ela fica encarregada de proteger a linha de avanço dos soldados alemães. São as piores condições a que se pode submeter um soldado numa Guerra que se fazem presentes nesse capítulo. Protagonizada pelo enfermeiro do grupo, Eugene Roe (Shane Taylor), mostra as adversidades a que se sobrepõem os homens da Companhia, quando não têm equipamentos suficientes, inclusive, para cuidados médicos, num momento completamente dramático.
THE BREAKING POINT, sétimo episódio, dirigido por David Frankel e escrito por Graham Yost, mostra como a Companhia Easy tomou uma base militar alemã num cerco quase desastroso em Bastogne. Tendo Winters se tornado Capitão, o grupo passa a ser liderado pelo Tenente Norman Dike (Peter O`Meara), que não passa qualquer credibilidade para seus subalternos. Num momento decisisvo, porém, o Tenente Ronald Speirs (Matthew Settle) - cuja fama vai de assassino louco a pilhador inveterado - mostra todo o heroismo inerente a um bom soldado. O episódio se passa sob a perspectiva do Primeiro Sargento da Companhia, Carwood Lipton (Donnie Walhberg, de O PREÇO DE UM RESGATE, SEXTO SENTIDO e O APANHADOR DE SONHOS), que também mostra o quanto é importante manter a integridade e a moral em alta dos soldados.
THE LAST PATROL, oitavo segmento, dirigido por Tony To, e escrito por Erik Bork e Bruce C. McKenna, mostra os momentos finais da Guerra, quando a Companhia Easy, ainda em território francês, em Haguenau, tem que capturar alguns prisioneiros alemães de uma base próxima, para interrogatório. Desta vez, a estória é sob o ponto de vista de um soldado que não parece muito satisfeito em ter que sair de patrulha junto a essa base com seu pelotão, David Webster (Eion Bailey), que vê num jovem e nexperiente tenente, Henry Jones (Colin Hanks, do seriado ROSWELL), a verdadeira imagem do heroismo e força de vontade, quando o Tenente Malarkey (Scott Grimes, de CRIATURAS 1 e 2) já está traumatizado demais com a perda dos amigos. Winters é promovido a Major.
WY WE FIGHT, nono segmento, dirigido por David Frankel, e escrito por John Orloff, é o mais mórbido da minissérie. O Capitão Lewis Nixon (Ron Livingston, do seriado SEX AND THE CITY), melhor amigo do Major Winters, desde os tempos de Currahee, além do vício pela bebida, também tem que lidar com o rebaixamento de posto e o pedido de divórcio da mulher na América. Mas ele, e todos os demais da Companhia Easy, que podiam acreditar ter grandes problemas, têm que lidar com a chocante e dramática descoberta, em 11 de abril de 1945, em Thalem, Alemanha, de um campo de concentração para judeus, poloneses e ciganos, enquanto por todo o resto do país outros campos foram sendo descobertos pelos aliados.
POINTS, décimo e último segmento, dirigido por Mikael Salomon, e escrito por Erik Jendresen e Erik Bork, conclui a trajetória da Companhia Easy na Segunda Guerra Mundial, quando partem de Zell Am See, na Áustria, para Berchtesgaden, onde tomam o Ninho da Águia de Hitler. Com a rendição dos soldados nazistas, surge uma nova expectativa para alguns dos combatentes da Companhia Easy, que ainda têm que esperar serem convocados para a batalha no Pacífico Sul, onde a Guerra com o Japão prossegue. Logicamente, é o mais dramático episódio, pois mostra como foi o fim da Guerra para cada um dos combatentes da Easy, quais os caminhos que cada um deles seguiu e, ao final, o relato de cada um dos sobreviventes.
Ganhador de alguns dos maiores prêmios, como o AFI Awards, o American Cinema Editors (pelo episódio DAY OF DAYS), o Emmy Awards, o Golden Globe, o Golden Satellite Awards, o Peabody Awards, o Television Critics Association Awards, o Writers Guild os America e os europeus British Society Cinematographers e Royal Television Society, BAND OF BROTHERS é um marco na televisão norte-americana, muito digna de apreço e que pode, seguramente, ser considerada uma das melhores produções sobre a Segunda Guerra Mundial. Não pode e não merece passar por despercabida. Superior a muitas outras realizações cinematográficas, equiparável, talvez, a O RESGATE DO SOLDADO RYAN, por ter Spielberg, aqui, como produtor, é um deleite visual, dramático e ousado, para fãs e não fãs do gênero, principalmente pela veracidade dos acontecimentos, tanto a nível pessoal, dos personagens, como pelas próprias batalhas.
Cotação: *****